Friday, September 28, 2007

Tivesses este discernimento como primeiro-ministro e votava em ti

http://videos.sapo.pt/7Klq4KqnPzsTh68DQwnO

Wednesday, August 22, 2007

E temos a honra de publicar o centésimo post deste blog.

I went to Mexico and all I got was a lousy hurricane

Jornalista da RTP - "Então, como foi lidar directamente com um furacão?"

Turista português recém-chegado do México - "Foi uma experiência muito engraçada. Como aqui no nosso país não temos oportunidade de passar por estas coisas, acho que foi uma experiência muito positiva."

Thursday, August 16, 2007

O vídeo que vai ensinar a GNR a observar indicios de consumo de droga nos condutores portugueses

Monday, July 16, 2007

And now for something completely different... and futile

Da míriade de preconceitos que tenho, um que mais defendia até hoje com firmeza era a capacidade do povo brasileiro não ter o minimo jeito para traduzir o que quer que seja. Um exemplo paradigmático na minha opinião é o título da versão brasileira (e provavelmente Herberto Richards) de Animal Farm de George Orwell, singularmente intitulado "A revolução dos bichos"... felizmente para nós à beira mar plantados alguma alma iluminada decidiu escolher por "O triunfo dos porcos", que acaba por ser mais belo e mais fiel à narrativa.
Pois bem, quem quiser visitar o site da fnac e procurar a versão do Flying Circus dos Monty Python com legendagem em português vai ler qualquer coisa como "Monty Python Flying Circus: os malucos do circo". Para traduções assim prefiro o original... ou uma tradução fiel do titulo, do género "O circo voador dos Monty Python"... agora "os malucos do circo"????? Querem-me convencer de que os malucos do riso são inspirados em Monty Python? Ou que utilizam um título similar para convencer a malta a comprar? Podiam explicar ao sr. tradutor que certamente fez uma excelente tradução que o público alvo deste tipo de humor não é muito do estilo dos malucos do riso. Ou talvez o dito sr. seja descendente de brasileiros e herdou o gene herberto richards...

Lisboetas

As 24 folhas e uma hora de questionário percorridas não mostram a razão da sua postura envergonhada e, até mesmo, subserviente; as codificações e posteriores análises estatísticas não conseguem conter as lágrimas que lhe resvalam teimosas pelo rosto. A sua vida é demasiado dolorosa para caber no mundo mesquinho da ciência que apenas recolhe dos seus espécimes o que supostamente é mensurável. Sem lhe poder dar nada em troca, sem sequer poder resolver os seus problemas, permitiu-me arrombar-lhe o baú poeirento das memórias que muito provavelmente simplesmente queria deixar completamente encerrado.

50 e muitos anos, analfabeta. Nunca andou na escola porque nasceu numa comunidade cigana onde a educação pouca importância tem, mas onde a virgindade é um valor inviolável. É com vergonha que assume que a perdeu precocemente e com raiva que explica ser essa a razão pela qual não tem família e possivelmente nunca teve alegrias na vida. A sova que o pai lhe poderia ter dado foi-lhe sendo administrada diariamente pela vida. Excomungada da sua comunidade, como que expulsa do paraíso por ter cometido o erro de provar a maçã, viu-se forçada a roer-lhe o caroço para sobreviver. Prostituta durante quase 4 décadas, não conseguiu evitar três filhas a quem queria poupar o sofrimento... assim como não consegue evitar a vergonha que uma delas sente da seropositividade da mãe. De todas as chicotadas que confessa não suportar, é ver a filha favorita deixar-se engravidar e espancar por parasitas violentos sem ouvir os conselhos de quem já levou muito também. Não tive coragem de lhe perguntar a questão que encerra o questionário... perguntar a alguém que viveu nas ruas muitos anos se acha que "nunca, raramente, ocasionalmente, muitas vezes, sempre" esteve em pobreza seria, no minimo, desumano.

O questionário terminou, extraí dela os pedaços mensuráveis que a partir de agora serão digeridos pelos testes estatísticos em conjunto com outros tantos pedaços que não mostram a totalidade destas habitantes de Lisboa cuja existência ignoramos completamente. Só lhe dei em troca o reavivar de memórias duras e dolorosas... mas quando na despedida achei que, no minimo, lhe deveria retribuir com uns simples beijos na cara, ao ver o primeiro sorriso sincero e aberto iluminar-lhe a face percebi que ao menos durante uma hora lhe tinha dado algo precioso que nem a vida nem ninguém lhe certamente dava todos os dias: atenção.

Sunday, June 17, 2007

Monday, June 11, 2007

Quem diz é quem é...

«Vladimir Putin acusa Organização Mundial do Comércio de ser "arcaica e não democrática"»

Vamos ver se a tua suposta preocupação com o desequílibrio entre pobres e ricos se mantém quando tiveres um poleiro numa organização económica qualquer, oh meu hipocritazinho czarista...

Thursday, May 31, 2007

Manifesto anti-processo de Bolonha II

Para não variar, as reformas são sempre inspiradas em altos valores, neste caso, académicos - que na realidade nunca são cumpridos.
Uma das premissas do processo de Bolonha é a agilização do ensino superior, promovendo uma integração precoce do estudante no mercado de trabalho/académico-científico, reduzindo o número de anos de estudo. Outra das vertentes importantes é a filosofia da "aprendizagem ao longo da vida", promovendo a inclusão de pessoas que por diversos motivos não prosseguiram os estudos académicos e cuja experiência profissional constituíria uma mais-valia na (re)entrada para a faculdade.
Quanto à agilização do ensino superior, já estava mais do que na hora de repensar este método medieval dos "mestres" e dos "doutores", destes cerimoniais todos. Era absolutamente necessário na área da investigação encarar o mestrado e o doutoramento como uma forma de formar e aprofundar os conhecimentos científicos dos investigadores e não como um empecilho a esse objectivo. Mas não... quem está em situação de transição e tem uma licenciatura do currículo anterior, bem como aqueles que entretanto começaram os mestrados estão em desvantagem: os primeiros porque se não tiverem média igual ou superior a 16 não poderão passar directamente para o doutoramento; os segundos basicamente andam a encher os bolsos das faculdades e acabam por ficar com o título para o qual já estudaram na licenciatura e tiveram que estudar quase o dobro (4+3) do que os alunos do novo sistema (3+2).
A história da introdução precoce dos alunos no mercado de trabalho/académico-científico, bem como a suposta articulação entre faculdades e empresas é totalmente perniciosa. Na prática, agudiza-se a precarização do trabalho mascarando esta "integração precoce" com estágios não remunerados ou, na melhor das hipóteses, recibos verdes em funções subalternas. Já para não falar do desemprego, sobretudo em contexto de crise.
Por fim, a "aprendizagem ao longo da vida" bem como todos os aspectos acima referidos no fundo servem para alimentar a eterna mentalidade do "sacar". Facilitam-se em demasia os exames de acesso a maiores de 23 anos e não se investe numa adequada preparação dos futuros alunos, o que se reflecte tanto nas desistências como na descida do nível de exigência.
Tudo em nome da "qualificação dos recursos humanos", ou trocando por miúdos... tudo em nome de conseguir colocar toda a gente no 2º ciclo e garantir as propinas de 2000€...